Como neutralizar a violência
MEU DEUS, MEU DEUS, PORQUE ME ABANDONASTE?
Mais uma vez “comemoramos” o dia espiritual da paixão e morte de Jesus e o dia profano da malhação do Judas. É a bipolaridade do ser humano: a alma e o corpo, o “mundo espiritual” e o “mundo material”. Essa data nos leva a uma reflexão sobre a violência e a solução para neutralizá-la, pelo plano divino e pelos planos humanos. Conforme narra Moisés no livro do Gênesis, estava no plano divino que Caim, homem mau, matasse Abel o preferido de Deus, mas no juizado humano a decisão seria bem diferente, Abel mataria Caim. Pediu Deus a Abraão que matasse seu próprio filho Isaque como prova de amor, mas o homem mataria os inimigos de Deus para provar esse amor. E os sacrifícios oferecidos a Deus na antiguidade? Pela vontade do homem seriam queimados na fogueira lobos ferozes, mas Deus pediu para que fossem imolados inocentes cordeiros. Estava no plano de Deus a morte de Jesus, no entanto Pilatos, julgador humano, queria matar Barrabás. No presente século, estudantes inocentes são mortos no Rio de Janeiro. Se dependesse da vontade do homem, Welington Menezes sairia pelas ruas matando bandidos e corruptos, e não crianças inocentes. Da para afirmar que essas mortes de inocentes estão no “plano de Deus”? Seria esse Deus um monstro? Pensando espiritualmente, não. Já ouvimos dizer que “violência gera a violência” e que devemos “pagar o mal com o bem”. No mundo espiritual é assim, um mal se anula com um bem e o assassinato de um bandido se paga com a morte de um inocente.
Toda nossa maldade precisa ser neutralizada. Se não for neutralizada, se acumulará, se transformando numa “consciência coletiva” (Chamada de arquétipos pelo psicanalista Carl Gustav Jung). Essa “consciência coletiva negativa latente” invade o inconsciente de seres espiritualmente fracos, sobrepondo-se à “consciência individual”. São os denominados “psicopatas” pelos analistas humanos e "endemoniados" por alguns espiritualizados. São incorporados pela “carga negativa coletiva” e impelidos espiritualmente a “descarregar”, cumprindo uma tarefa de “purificação”, alertando o povo a “endireitar os caminhos” na direção traçada pela “vontade criadora”. Cumprida a tarefa, como Judas Iscariotes, esses “agentes das nossas maldades” se autodestroem, por estarem em desarmonia com o criador. Um remédio amargo esse. O próprio Jesus disse: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice, mas não seja feita a minha vontade (vontade humana) e sim a vossa vontade (vontade divina)”. As nossas maldades diárias constroem cobaias como Wellinghton que “melhor que nem tivesse nascido” pois diz o mestre: "Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham os escândalos; mas ai daquele homem por quem o escândalo vem.” Foi da “vontade do homem” linchar Wellington, mas é da “vontade de Deus” que peçamos perdão a ele. Do massacre do Realengo, nós somos os culpados. As atitudes eventuais de “ódio coletivo” deles só são neutralizadas por atitudes diárias de “amor individual” nosso.
Eugênio Inácio Martini
Nenhum comentário:
Postar um comentário